por Diego Patriota

Mente literal do sexo

Um jogo de sedução. Um olhar por entre as prateleiras. Um desgaste de cegueira berrante. A perda de fôlego soluçante. O ganho de um encontro estimulado por súbita declaração. A presença e o encontro regado de noção. Atenção esponjática, que suga e se alimenta dos elementos a que é exposta. Aprisionado, o olhar tenta escapar a imensidão negra mergulhada num doce branco. A inocência se choca contra a incredulidade. Resta a tensão de um reflexo estático. O inatingível faz-se visível.

O encontro é surrupiado pela lembrança do que nunca foi. O lamento pranteia a sorte. Sorteado foi de conhecer, de sentir, de saber. Mas o perdedor ganha a solidão. Essa foi a maior das conquistas. Com isso ele pode pensar, imaginar, criar. Os segundos giravam entre ele e o objeto, que o repelia e atraia ao mesmo tempo. O peso do ar carregado de incertezas preenchiam o espaço entre ele e a poltrona.

De súbito, um mundo se partiu com uma rachadura há tanto conhecida. Jamais cuidada. A distância construída ultrapassa os olhos. Nada é abstrato. Nada é real. Tudo é um resto do que foi abstrato e que era real. Palavras e gestos se fundiam assumindo contradições compreendidas. Tudo mais é por fim, vazio.

Esse texto foi resultado do momento em que me peguei fisgada pelo livro Sexo para iniciantes, que comecei a ler para provocar vergonha em um amigo querido. Em troca, ganhei o livro de presente, depois de ter lido quase mais da metade dentro da livraria. O que começou como sacanagem se tornou prazer literalmente. Cheio de autores publicados pela primeira vez, o livro condensa contos curtos muito bem escritos. O sexo aparece com uma pegada diferente, poética e cheia de aliterações.